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Você dá o tom da paz para minha dor.

quarta-feira, 22 de julho de 2009



Por Leandro Neres e Camila Costa.


Acordo as sete da manhã,
vinho tinto sem sabor,
riso falso disfarçando a ilusão
e os sons vêm, pra me embalar a alma, o dia.

Alguém já pensou o que seria
o mundo sem os sons?
Os da manhã, especialmente,
aumentam a minha força pra viver,
pra levantar, também.

A brisa fria passa levemente pela janela,
algum pássaro canta por aí, as folhas balançam...
Sinto um despertar que não vem das horas marcadas
levanto-me e vou ao encontro daquilo que fugi.

O som do aconchego abraça minha dor
ela é acolhida e o acalento vem de braços e mãos
que sinto em meu coração, parte a dor, fico só
Somente meu silêncio e imagens que insistem em despertar.

Imagem de Olhares.

Sobre Lobos

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Sobre Lobos
(Poema de André Ricardo Andrade - andreandrade_sl@hotmail.com)

Lobo da Noite

Subindo pela montanha
Sem que os pés toquem o chão
Descobrindo em suas entranhas
Que a água corre com perfeição

Chegando próximo ao céu
Tocando as nuvens brancas
Sentindo o doce véu
Esquecendo o profundo pranto

Sinto-me um lobo da noite
Uivando para lua bela
Olhando as estrelas
Sou sentinela

Lobos

Nada viu e tudo julgou
Nada sentiu
Seu ego predominou
Iluminei a noite quando a luz se apagou
Fui até o sol
Pra sentir o calor
Nadei em um oceano de pedras
Sobre ele flutuei
Encontrei o verde nesta selva
Subi até a montanha
Procurei por aquela visão
E senti na alma a criação

Lobos me viram
A mim vieram
Lobos uivaram
Algo para mim trouxeram
Era o dia, era à noite
Era o sol, era à lua

Lágrimas

Lobos insaciáveis esperam pelo som
Este que soa no interior da alma
Liberdade e igualdade no mesmo tom
Abutres voam rasos
Ursos tornam-se coelhos
Quem antes andava, hoje vive de joelhos
Morcegos voam de dia
Cães não latem mais

O incorreto nos traz
Insanidade apenas cega
A dor não é comum
Saudade com esperança
E as lagrimas mais uma vez correm

Imunes a Morte

Lobos imunes a morte
Artífices do amor
A lamina que um dia me causou um corte
Hoje bebe prantos e terror

Passos evoca a noite
Olhos pesados perdidos
Dançando cegamente
Os mortos de ontem, hoje estão vivos

Percepção

A serpente de fogo surgiu ao norte, nas entranhas do ódio. Ela é grande, não quero que ela chegue até aqui. Partirei em fuga com meu barco pelo denso oceano de gelo.

As ruas estão cheias as vozes não se calam. As pessoas parecem condenadas a esta perpetua rotina. A busca do TER, esquecendo o SER em uma esquina qualquer.

O sol surgiu, as aves levantaram vôo, a água desceu da nascente, o vento começou a soprar. A mais bela das estações estava descoberta. O rio cruzou rapidamente sob a percepção da rocha. Os olhos de cristal brilharam.
O repouso do vento surpreendeu a aurora. O repouso do sol cedeu no agora. A lua apareceu quando o coiote uivou.

Viajante

Aventura é o sangue do viajante
Tanto a conhecer
Na vida, para apenas por um instante
É na hora de morrer

Quando a noite chegar
E o lobo trouxer aventura
Nas águas irá encontrar
A mais bela ternura


O olhar é do cume distante
Que parece desafiar nosso viajante
Seu sangue muito esquenta
E lá está novamente sob vento constante

A Fada de Avalon

Mármores de eterna brancura
Imunes ao passar do tempo
É o lobo sedento que uiva com bravura

Território assombroso
Pântano sem fim
Estrelas solitárias permanecem
Constelações são mundos imperceptíveis

Os olhos dos lobos são o alem
A fada de Avalon procura um, porém
E lá continua o barco
Deslizando na crista de teus longos cabelos

*Poema escrito pelo meu amigo André, amigo-poeta de canções, bandas, vida boemia, estudos e discussões.

Separados, pensamentos juntos

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

 
Imagem em DeviantART
Manga com sabor de beijo na esquina. Música que se confunde com imagem. Sorriso cor lilás e cheiro de maçã. Ando por cima da água pra brincar de Deus, balanço a perna sem parar, meus dedos coçam, queria estar noutro lugar. Mão que transpira e busca solução pra coisa que quer dizer, mas não diz. Sinto saudade de amor carnal nunca experimentado, como das flores que cantam sozinhas pra me fazer companhia. Não pense que estou tentando usá-la, foi só encontro que estava pronto a ser marcado. Quando estou com você, o inesperado sempre acontece e fico sem controle, mas sempre minto no final. Há sempre crianças jogando bola e saudade de tempo que não volta mais, mas não sinto falta. Pois tenho existência inquietante de quem não se mostra apesar de se despir, já que sempre me incomoda o filho do vizinho que faz manha pra não ir à escola.

Sou sorvete derretendo em pingos que lembram tarde de verão, ou clara de neve com limão que encobriu o último bolo da vó, ou poesia sem sentido sobre caminhos já trilhados. Com você passaria a tarde sorrindo trilho de trem, estação que é o esboço da minha próxima pintura, sua companhia me faz esquecer que um dia já sofri. Eu já sofri? Sofrimento que estava ao lado até uns dias atrás, abri as janelas e o sol apareceu, até as flores no jardim estão dançando. Tenho voz de homem que diz mentiras pra esconder as rugas de quem já amou demais e fecho portas e blindo cadeados pra prender felicidade furtiva. Sinto garganta seca de tanto esconder palavra, de tanto fugir, mas que segue a vida em paz. Estou sempre em busca de fonte de água pura, felicidade que brilha, que é sino de capela, que é benção apostólica, moça sorrindo no portão, pés descalços, vestido florido, rosto lavado, uma tarde de sol.

Mostro minha alma obscura a você e não importa se o tempo está acabando, sempre será pouco, com você vou sempre depois das cinco da manhã, fazendo brincadeira de criança, porque faz de conta é parte da tragédia da vida. Escondo alma e tento abrir o coração, mas tem frase que precisa ser dita pra não haver separação. Brincadeira de aprendiz, somos gente que não sabe viver sem cair. Antes fosse mulher de verdade, é mulher pela metade, partida sempre te faz chorar. Mas é vida, é caminho comum, gente que sofre, que não lembra que sofreu, que se agarra, que canta, que mente, que diz, que é viajante e, olhando o olhar de quem fica só, agora sei a dor que já causei, não pensei que fosse tanta mas ninguém tem culpa, a vida é feita de viagens também.

Tem agora um brilho no escuro que finge ser vida, mas é vela que se apagou a alguns anos-luz e velo por toda falta de luz, rezo o credo que dá vida toda vida e, se não precisar de credo, rezo a lógica que dá paz à falta de fé. Esse ritual de acasalamento, entre o vermelho sofrido e o fio de vestido que sobrou em mim, busca incessantemente por paz, mas quer loucura em seu copo de mulher sofrida. Todo ritual exige passagem. Em alguma passagem o rito dá significado à magia sonhada em cinema mudo, essa seqüência de fatos psicológicos, em tempos perdidos entre o querer ir e a vontade de morrer sem ter você. E tenho mesmo que partir, mas levo nossa paz aonde for, que é cor de rosa, cor de rosa despetalada.

Conversa para boi dormir

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Imagem de Kurt Halsey
“E ela disse o quanto estava magoada e se sentia humilhada,deixada de lado e as vezes enganada e o quanto sentia suas expectativas frustradas durante tantos anos e quantas injustiças foram sofridas e quanto amor teve de ser liberado sem razão, sem merecimento e que podia ter muito bem sentado e tido uma bela conversa sobre o assunto e colocado a pessoa em questão no seu devido lugar ou apenas desistido dela, mas que optou por mais uma vez amar... essa forma inexplicável de amor.
E então de alguma forma desconhecida depois de todo esse misto de sentimentos entregues a justiça divina e não a sua própria, olhou pra dentro de si após 40 minutos e percebeu que estava mais uma vez, como se nada tivesse acontecido, completamente apaixonada por ele”

E eu disse : Mãe , sei exatamente como a senhora se sente.

Pher

Sempre esteve

quinta-feira, 20 de novembro de 2008


Esteve comigo nos traumas de infância
Esteve comigo quando tentei agradar me perdendo.
Esteve comigo quando paguei o preço por ser eu mesma.
Esteve comigo quando tomei bomba mesmo estudando pra caramba.
Esteve comigo quando passei sem tocar em livro algum.
Esteve comigo quando fui rejeitada.
Esteve comigo quando segurei meu ego no chão sem fazer compensação pelas rejeições que tive.
Esteve comigo quando eu estava a fim de lanchar e comprar roupas legais e não podia.
Esteve comigo quando eu não sabia muito bem oque fazer com meu dinheiro.
Esteve comigo quando eu tentei orgulhar meus pais e não pude.
Esteve comigo quando obtive reconhecimento sem esforço.
Esteve comigo quando eu tinha muitos amigos bajuladores.
Esteve comigo quando eu descobri não serem amigos os bajuladores.
Esteve comigo quando tentei blasfemar.
Esteve comigo quando o defendi contra quem o ofendia.
Esteve comigo quando assinei meu nome errado.
Esteve comigo quando esperta tive respostas na ponta da língua.
Esteve comigo na depressão.
Esteve comigo quando pensei nunca conseguir ser tão feliz.
Esteve comigo quando pirei de tanto ficar em casa.
Esteve comigo quando chorei querendo ter tempo de ficar em casa.
Esteve comigo nos bares e nos shows.
Esteve comigo nos cultos e nas horas sozinha no meu quarto.
Esteve comigo em toda minha humilhação e constrangimento.
Esteve comigo nos momentos de glória e total aceitação.
Esteve comigo no conforto do isolamento.
Esteve comigo na iniciativa de me abrir de novo.
Esteve comigo no escândalo da fé.
Esteve comigo no redescobrimento da mesma.
Esteve comigo quando baixei cabeça, engoli choro e esperei por justiça do alto.
Esteve comigo quando mandei a justiça do alto pro espaço e dei resposta atravessada e mandei tudo pra puta que pariu.
Esteve comigo quando menti e pedi ajuda pra não ser descoberta.
Esteve comigo na vergonha de sempre dizer a verdade.
Vezes interveio milagrosamente.
Muitas não.
Mas, esteve comigo!!

Pher

Publicado no Recanto das Letras em 31/01/2008
Imagem em deviantART

Reflexos de um sublime amor.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Uma troca de olhar sincera, eu paro, sinto-me desajeitado, minha blusa marrom e minha calça velha, estranho que há tanto por fazer e fico com essa mania de olhar meio de lado, torto, sempre com uma ou outra mão no bolso. E ela nota isso, sempre se deu conta de minha insegurança, essa imagem que eu vejo no espelho e só ela consegue interpretar, como se soubesse o porquê de cada gesto, ou até o previsse antes mesmo de eu pensar em fazer. Esta imagem é meu silêncio refletido em desajuste, minha calma após tamanha tempestade de dias em luto, um cortejo fúnebre daquilo que nem chegou a nascer. Se foi amor, ele se foi só, foi quase-amor, foi desencontro, estrela intocável num poema de algum poeta do sul.E lembrando de seus olhares refletidos em cartas e poemas não publicados viu que nunca encontrou, assim como ao olhar nos seus olhos viu as marcas que denunciam todo desencontro de amores sós.
Ela sentia medo desse tão conhecido reflexo. Como se ele fosse decifrar seus pensamentos mais torpes, como se a imagem toda maquiada do seu rosto não conseguisse camuflar medos e apreensões. Ela tinha olhos de ressaca, não os de Capitu, seus. Suas ressacas, suas marés, seus indo-e-vindo. E não queria enxergar em si a personificação mal esculpida da confusão, então virava o rosto, como uma ingênua criança... Ela sabia que era como uma flor, não era uma flor comum, era flor sem espinhos, que seu perfume conquistava e lapidava qualquer pedra embrutecida pela dor. 

Ela não era espinhos, era rosa dos ventos que guiava seus amantes aos mais puros pensamentos, as sensações de paz, aos sons de cura vindo de paisagens  bucólicas, livres e de paz. Mas insistiam em não saber como olhá-la. Eles eram como aquele que diante do espelho não sabia ver quem era e só via dor e desencontro. Ela lhe mostrava os melhores caminhos, as melhores rotas de fuga, soprava em seus ouvidos como fugir da tentação que era tentar tocá-la, ela, a flor mais bela e pura encontrada na natureza se sentia espinho, mas não era, nunca feriu, nunca seria capaz de ferir. De tanto ver sofrerem ao não saberem lidar com sua mágica e poesia não via pelo seu espelho a imagem de quem realmente sempre foi. Por dias olhava e parecia cega diante das palavras de acusação que injustamente sopravam em teus ouvidos. O espelho nada dizia, só mostrava teu silêncio, só teu silêncio seria capaz de lhe revelar quem ela era...
Um dia, um homem-poeta-músico-pensador a compreendeu. Ele se viu no reflexo dos olhos dela, e encontrou o espelho de sua alma. Sem desenhar as palavras que sempre foram escritas em papéis machê, sem machucar as folhas de tão delicada rosa, ele simples a tocou, com a mesma magia sublime que dedilha e rouba notas o violão. E ela, embriagada, pela primeira vez, com a melodia do amor-canção, se entregou. Pois o vidro, que outrora mentia em reflexos, finalmente se desturvou, e nele ela se via e se sentia. Eles se compreenderam numa mistura de prosa, versos, notas, folhas, flores, espinhos e excitação. E todos os espelhos foram olhados e tantas vezes se viram, como pra guardar em si cada pedacinho desse inédito momento. Tão sensíveis que eram, sabiam que como surgiu, podia se acabar. Como um reflexo.
Imagem retirada de DeviantART