Sobre Lobos
(Poema de André Ricardo Andrade - andreandrade_sl@hotmail.com)
Lobo da Noite
Subindo pela montanha
Sem que os pés toquem o chão
Descobrindo em suas entranhas
Que a água corre com perfeição
Chegando próximo ao céu
Tocando as nuvens brancas
Sentindo o doce véu
Esquecendo o profundo pranto
Sinto-me um lobo da noite
Uivando para lua bela
Olhando as estrelas
Sou sentinela
Lobos
Nada viu e tudo julgou
Nada sentiu
Seu ego predominou
Iluminei a noite quando a luz se apagou
Fui até o sol
Pra sentir o calor
Nadei em um oceano de pedras
Sobre ele flutuei
Encontrei o verde nesta selva
Subi até a montanha
Procurei por aquela visão
E senti na alma a criação
Lobos me viram
A mim vieram
Lobos uivaram
Algo para mim trouxeram
Era o dia, era à noite
Era o sol, era à lua
Lágrimas
Lobos insaciáveis esperam pelo som
Este que soa no interior da alma
Liberdade e igualdade no mesmo tom
Abutres voam rasos
Ursos tornam-se coelhos
Quem antes andava, hoje vive de joelhos
Morcegos voam de dia
Cães não latem mais
O incorreto nos traz
Insanidade apenas cega
A dor não é comum
Saudade com esperança
E as lagrimas mais uma vez correm
Imunes a Morte
Lobos imunes a morte
Artífices do amor
A lamina que um dia me causou um corte
Hoje bebe prantos e terror
Passos evoca a noite
Olhos pesados perdidos
Dançando cegamente
Os mortos de ontem, hoje estão vivos
Percepção
A serpente de fogo surgiu ao norte, nas entranhas do ódio. Ela é grande, não quero que ela chegue até aqui. Partirei em fuga com meu barco pelo denso oceano de gelo.
As ruas estão cheias as vozes não se calam. As pessoas parecem condenadas a esta perpetua rotina. A busca do TER, esquecendo o SER em uma esquina qualquer.
O sol surgiu, as aves levantaram vôo, a água desceu da nascente, o vento começou a soprar. A mais bela das estações estava descoberta. O rio cruzou rapidamente sob a percepção da rocha. Os olhos de cristal brilharam.
O repouso do vento surpreendeu a aurora. O repouso do sol cedeu no agora. A lua apareceu quando o coiote uivou.
Viajante
Aventura é o sangue do viajante
Tanto a conhecer
Na vida, para apenas por um instante
É na hora de morrer
Quando a noite chegar
E o lobo trouxer aventura
Nas águas irá encontrar
A mais bela ternura
O olhar é do cume distante
Que parece desafiar nosso viajante
Seu sangue muito esquenta
E lá está novamente sob vento constante
A Fada de Avalon
Mármores de eterna brancura
Imunes ao passar do tempo
É o lobo sedento que uiva com bravura
Território assombroso
Pântano sem fim
Estrelas solitárias permanecem
Constelações são mundos imperceptíveis
Os olhos dos lobos são o alem
A fada de Avalon procura um, porém
E lá continua o barco
Deslizando na crista de teus longos cabelos
*Poema escrito pelo meu amigo André, amigo-poeta de canções, bandas, vida boemia, estudos e discussões.