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ECOLOGICAL DAY - Physis

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Tomemos os seis dias da semana para representar o que de fato se passou em cinco bilhões de anos. O nosso planeta nasceu numa segunda-feira, a zero hora. A Terra formou-se na segunda, terça e quarta-feira até o meio-dia. A vida começa quarta-feira ao meio-dia e desenvolve-se em toda sua beleza orgânica durante os quatro dias seguintes. Somente às quatro da tarde de domingo é que os grandes répteis aparecem. Cinco horas mais tarde, às nove da noite, quando as sequóias brotam da terra, os grandes répteis desaparecem. O homem surge só três minutos antes da meia-noite de domingo. A um quarto de segundo antes da meia-noite, Cristo nasce. A um quadragésimo de segundo antes da meia-noite iniciasse a Revolução Industrial. Agora é meia-noite de domingo e estamos rodeados por pessoas que acreditam que aquilo que fazem há um quadragésimo de segundo pode durar indefinidamente. (David Brower, ecologista americano)
Clique acima da imagem e participe da blogagem promovida pela Sônia -  Leaves Of Grass.
Passei hoje de manhã pelo Luz de Luma e encontrei esta blogagem coletiva que gostei muito. A Luma fez um post muito interessante, vale a pena conferir... Vou publicar parte de um texto que li e achei muito interessante, muito mesmo! Não sou da área de biologia, mas eu gostei da abordagem filosófica que aponta para muitos caminhos educacionais... O trecho que selecionei aborda o conceito grego de Physis e como ele é importante para resgatarmos uma visão holística da natureza. Assim como nos impulsiona para refletirmos sobre nossa condição neste universo, assim como provocou o ecologista David Brower na citação de abertura deste post. Eu li alguns artigos e muitos apontavam para a Ecopedagogia e para a Educação Ambiental. Acredito que estes são os melhores caminhos para mudarmos e implementarmos uma cultura que respeite e integre melhor o ser humano com a natureza.
Carvalho, Isabel Cristina de Moura.

Em direção ao mundo da vida : interdisciplinaridade e educação ambiental / Conceitos para se fazer educação ambiental / Isabel Cristina de Moura Carvalho. — Brasília : IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, 1998.
Entre a máquina e a mística da natureza
A ecologia tem seu nascimento “oficial” em 1866, quando, pela primeira vez, o biólogo alemão Ernest Haeckel, importante difusor das idéias de Charles Darwin, usa o conceito ecologia na literatura científica ao afirmar: “Por ecologia, entendemos a ciência das relações dos organismos com o mundo exterior”. Este conceito foi se tornando complexo, ao longo do tempo, sem perder o seu sentido original.
Hoje, de modo geral, entende-se por ecologia o estudo das relações que os seres vivos mantêm entre si e o meio ambiente. Formada pela reunião das palavras gregas logos (que significa estudo) e oikos (que significa morada, casa), a ecologia nomeia o estudo do lugar que os seres habitam, também chamado pela ciência de ecossistema. Essa casa comum dos seres vivos compreende tanto as relações que compõem um ecossistema específico como também pode abranger muitas outras inter-relações entre os ecossistemas que constituem o planeta Terra. Por isso, encontraremos tantos estudos ecológicos voltados para ecossistemas específicos (como os ecossistemas marinhos, por exemplo) quanto outros que discutem as inter-relações abrangentes entre vários ecossistemas e o conjunto do planeta. Mais recentemente, o conceito de ecologia vem se ampliando e já há autores que consideram vários níveis de relações ecológicas, incluindo, além de uma ecologia estritamente ambiental, uma ecologia social e até mesmo uma ecologia mental.
Mas, voltando às origens da ecologia, uma coisa curiosa a respeito de Haeckel é que, além de cientista, ele também era membro influente da Liga Monista. O monismo era a corrente filosófica que postulava uma visão unificada e equilibrada de todo o Universo. Para os monistas, tudo o que existia no mundo era feito da mesma matéria. Portanto, todos os seres vivos tinham o mesmo valor na ordem natural. Além disso, tomavam a natureza como fonte de verdade e modelo para a vida humana.
A ecologia teve, assim, desde seu nascimento, uma marca muito significativa. É fruto de uma visão científica, mas sua orientação sistêmica também não deixa de estar permeada por uma filosofia holística. Esse diferencial talvez seja, em parte, responsável por uma certa permeabilidade da ecologia, que vem sendo associada a outros valores extracientíficos, animados pela idéia de uma “busca da Physis”.

Perspectiva Moderna
 O que caracterizou, desde seu início, a perspectiva moderna foi a transformação do mundo em objeto externo de conhecimento. Isso deu lugar a uma operação progressiva de divisão e classificação que se tornou a base do conhecimento científico. Essa racionalidade ordenou o mundo na base de uma série de dualismos, os quais inauguraram as conhecidas polaridades que ainda hoje orientam todo o nosso pensamento: humano x natureza; cultura x biologia; sujeito que conhece x objeto conhecihumano x natureza; cultura x biologia; sujeito que conhece x objeto conhecido, apenas para citar algumas das mais conhecidas.
Com o mundo transformado em objeto, a complexidade do Universo foi traduzida em inúmeros
pedaços, partes, especialidades, disciplinas. Sabemos que a ciência moderna se funda nesse pensar classificatório, descrevendo e estudando aspectos cada vez mais parciais e especializados dos seus objetos de conhecimento.
O teólogo Leonardo Boff, que se dedica a pensar como estas questões acerca do conhecimento
afetam a condição humana, fala sobre a redução do complexo ao simples e ajuda-nos a compreender o reducionismo que está na base do pensamento disciplinar:
Complexidade é uma das características mais visíveis da realidade que nos cerca. Por ela queremos designar os múltiplos fatores, energias, relações que caracterizam cada ser e o conjunto dos seres do universo. A ciência moderna, nascida com Newton, Copérnico e Galileu Galilei, não soube o que fazer da complexidade. A estratégia foi reduzir o complexo ao simples. Por exemplo, ao contemplar a natureza, ao invés de analisar a teia de relações complexas existentes, os cientistas tudo compartimentaram e isolaram. (...)Assim, começaram a estudar só as rochas, ou só as florestas, ou só os animais, ou só os seres humanos. E, nos seres humanos, só as células, só os tecidos, só os órgãos, só os organismos, só os olhos, só o coração, só os ossos, etc. Desse estudo, nasceram os vários saberes particulares e as várias especialidades. Ganhou-se em detalhe, mas perdeu-se a totalidade.*
Mas isso nem sempre foi assim
Essa visão, que hoje nos parece tão “natural”, foi construída no bojo das transformações sociais
e culturais que para alguns autores datam do início do cristianismo, e para outros só se configuraram como um novo paradigma de conhecimento a partir do século XV. O fato é que essa visão moderna, que fragmenta o mundo para compreendê-lo, não faz nenhum sentido, por exemplo, para muitos dos povos indígenas que pensam o Universo de forma mítica. Como também não faria nenhum sentido na Grécia antiga, que não concebia a natureza em oposição aos humanos. Os gregos desse período tinham um nome muito especial para denominar a natureza e todo o Universo que não era pensado como objeto, mas como uma totalidade: Physis.
Physis: a natureza de todas as coisas
Essa palavra representa uma experiência da natureza bem diferente do que podemos perceber por intermédio de suas traduções pelas línguas latinas. Isso porque não temos, em nossa cultura
latina, uma visão de natureza que se aproxime daquela dos gregos. Certas palavras, às vezes, não têm tradução porque simplesmente não existe uma experiência cultural que permita encontrar a idéia equivalente na outra língua. Este é precisamente o caso de Physis.
Physis designava a natureza de todas as coisas que nascem e se desenvolvem sem a assistência dos humanos, isto é, que se desenvolvem por si mesmas, independentemente da vontade humana. Os gregos acreditavam que no Universo havia uma ordem anterior às decisões humanas que a tudo regia. Era uma ordem natural a que tudo, incluindo as pessoas, estava submetido. Essa ordem natural era a morada da imortalidade, daquilo que dura no tempo, que nunca iria perecer, ser esquecido ou destruído. Physis era o mundo imortal, onde se dava a existência mortal dos humanos.
A modernidade e a natureza: a physis silenciada
Imensa mudança de mentalidade marca a passagem da antiguidade greco-romana para a Idade Moderna. Uma noção como a de Physis não encontra lugar dentro da visão de mundo predominante na modernidade. Pode-se dizer que, na modernidade, a Physis grega se silenciou simplesmente porque não se consegue mais pensar nos termos daquela visão grega de mundo.
Mas como foi que isso se deu? Afinal, o que é a natureza para a maioria dos que vivem na modernidade? Em primeiro lugar, aconteceu na modernidade o que alguns autores chamam de “o desencantamento do mundo”, isto é, não há mais espaço para uma idéia como a de Physis. A crença de que o mundo estava animado por uma ordem ou verdade que transcendia a existência humana perdeu força. A Physis foi silenciada, as forças cósmicas e os deuses já não habitam mais a natureza. O domínio da imortalidade e da transcendência, representado na cultura grega pela noção de Physis, começou a abandonar o mundo.
Na modernidade, a percepção predominante é de que tudo tende a se tornar perecível. Parodiando o poema de Vinícius de Moraes, poderíamos dizer que o espírito moderno é aquele que considera que tudo “é infinito enquanto dure”, ou seja, nada mais promete ser eterno ou permanecer para sempre. A sensação de tudo é transitório e perecível. A maioria dos humanos, na modernidade, não se sente mais inserida num cosmos, numa ordem que a ultrapassa. Os humanos modernos tendem a se pensar como fontes de suas próprias leis e, muitas vezes, como autores da ordem do mundo.
Por isso, não há mais uma ordem transcendente a ser contemplada no âmago da natureza. Os cientistas modernos não estão em busca da revelação do espírito das coisas. Eles procuram por propostas provisórias, posteriormente refutadas ou conservadas. Ao invés da contemplação filosófica, o cientista moderno busca respostas práticas nos experimentos com a natureza. O que a ciência moderna com sua lógica disciplinar, silenciou foi a dimensão do mistério.
*Leonardo Boff, A águia e a galinha; uma metáfora da condição humana, Petrópolis, Vozes, 1997, p. 72.

Acredito que esta concepção de physis também era presente na formação do povo de Israel,  em sua maioria povos nômades que viviam em busca de melhores locais para se subsistirem, temos várias passagens bíblicas do Antigo Testamento em que reverenciam a natureza, a colocam a importância de se cuidar dela e a vê como sustentanda pelo seu deus. Acredito que isto se dê a sua intimidade com a natureza. Eu convivi por uns anos com colegas estudantes que vieram do meio rural e já neles é possível ver essa relação íntima e de cuidado que de tão forte me causava estranheza. Só com o tempo fui percebendo e compreendendo a importância que havia para alguns em cuidarem de seus jardins e plantas. Para eles era uma questão de necessidade cuidar do meio ambiente. Que possamos sentir esta mesma necessidade e assumirmos senão toda, mas parte da physis como pensamento...
“O Reino de Deus é ver sua criação livre de qualquer mal” (Isaias 65.17-25, Oseias 2.19)

O Caetano-músico compos uma obra-prima para nossa Terra. Vale a pena ouvir essa versão.



Tabagismo - Problemas Cardiovasculares.

sábado, 31 de maio de 2008

Bom, apoio esta campanha, mas não quero ser hipócrita. Cada um escolhe sua forma de viver e de morrer. Eu, achei que o cigarro não compensava em minha vida. Por isto, parei de fumar, apesar de que sou um apreciador de cachimbos... O fato é que o tabagismo, ao lado da hipertensão, obesidade, alcoolismo, entre outras questões é um dos fatores de risco para nossa saúde... Aqueles que quiserem optar em parar de fumar têm muitos beneficios. No meu caso, as melhoras se deram nos primeiros dias já... Minha respiração melhorou muito, mal estava ganhando de garotões de 17 anos no basquete. Foi quando decidi parar. De uma hora para outra. Fumei por quase 7 meses e já senti os danos em meu corpo, respiração, no caso... Ja vai fazer quase um ano que não fumo... Mas tenho saudosas lembranças do meu cachimbo...

Para aqueles que fumam ou não fumam, vai segue o porque de minha preocupação em parar e de sempre apoiar quem decide a parar de fumar.

Com relação a doenças cardíacas trago o testemunho de minha avó que teve problemas e meu pai que sofreu infarto também. Por isso fiquei pensando e decidi que não queria correr o risco de morrer de doença cardiovascular, ao menos diminuir as chances... Estava procurando coisas na net sobre tabagismo e doenças cardiovasculares e encontrei uma pesquisa interessante... Em que demonstra os fatores que contribuiram para a doença nos pacientes... Seguem os números...

Métodos: O estudo incluiu 88 pacientes, no qual se realizaram análise de prontuários e entrevista clínica, entre seis e 12 meses após a realização de cirurgia de RM em hospital de referência para doenças cardiovasculares, no período de janeiro a dezembro de 2004.

Resultados: A média de idade foi 63,1±9,9 anos: 51 (58%) eram do sexo masculino, 86 (97,7%), hipertensos, 38 (43,2%), diabéticos, 85 (96,6%), dislipidêmicos e 10 (11,4%), tabagistas. O controle da hipertensão (PA < style="font-weight: bold;">Conclusão: Apesar do uso freqüente de medicações para controle da hipertensão, diabete e hipercolesterolemia, o controle de fatores de risco ainda é realizado de forma insuficiente nos pacientes revascularizados, o que sugere grande potencial para a melhoria da prática clínica. (Arq Bras Cardiol 2007;89(6):362-369).

http://www.arquivosonline.com.br/2007/8906/pdf/8906003.pdf

Percebe-se que o cigarro possui influencia efetiva nas causas para aqueles que tem problemas cardiacos... Acho que cabe a cada um pesar aquilo que considera importante...

Recomendo que visitem Re-Novidade! e vejam o texto publicado por Éverton Vidal. Texto completo e surpreendente.

Dia Internacional Das Crianças Desaparecidas

domingo, 25 de maio de 2008



O texto de hoje é linkado do blog da Luma... Achei muito bem elaborado e organizado... acompanhem por aqui, ou visitem o blog Luz de Luma, o qual é de extrema qualidade...

Este dia é dedicado a todas as crianças do mundo que desapareceram. Foi neste dia em 1979, que desapareceu um menino de 6 anos chamado Ethan Patz.

Quantas crianças desapareceram, deixando uma imensa dor dilacerando as entranhas de seus pais? Que rastro é esse de dor e de perguntas constantes: Onde estará, estará vivo, morreu, sofre, estará enterrado, onde está?

Seja qual dor, sofrimento ou agonia, mas se desapareceu, onde está? Far-lhe-ão mal? Voltarei a vê-lo? Vive em constante sobressalto, em constante o quê? Vive?

Imagino a dor destes pais, entendo a revolta, a impotência diante do fato, principalmente quando não conseguem ajuda. Porque seres humanos fazem mal, física e psicologicamente a indefesas crianças? Porque justo as crianças, seres tão frágeis?

Isto pode perfeitamente acontecer com qualquer criança, seu filho, sobrinho ou vizinho, mas penso principalmente nas crianças já desaparecidas. Como conseguem os pais sobreviverem sem os gestos, o riso, o choro, as caretas, o suave respirar daquele ser que viram nascer, que protegeram nas noites febris, que ficaram a escutar o suave respirar até que fossem vencidos pela exaustão, que dariam a vida por ela.

Será possível sobreviver a esta dor?

-clipped from www.alesc.sc.gov.br

ORIENTAR É PREVENIR

Converse sempre com a criança. Explique que você precisa saber com quem e aonde ela vai estar. Peça que deixe endereço, telefone e o nome de uma pessoa responsável. Determine a hora em que ela deve estar de volta.

Quando a criança estiver brincando na rua, procure ficar atento. Compartilhe essa tarefa com seus vizinhos. Ensine que ela nunca deve se afastar de casa sem dizer para onde vai e muito menos sem pedir permissão.

A carona ainda é o meio mais comum para o desaparecimento de crianças. Explique que, mesmo que a criança conheça a pessoa que está oferecendo a carona, só deve aceitar depois de pedir permissão.

clipped from www.cedeca.org - Ajude a achar uma criança desaparecida

Chega de boatos e dúvidas sobre crianças desaparecidas.

Agora que o governo federal criou o site Crianças e Adolescentes Desaparecidos, você pode ajudar: Toda vez que receber um e-mail sobre criança desaparecida, verifique nesse site se a informação verídica, e, ao invés de divulgar o desaparecimento de apenas uma criança, divulgue também o endereço do site.

clipped from www.desaparecidos.mj.gov.br

No Brasil não existem dados oficiais que determinem a quantidade de crianças e adolescentes desaparecidos anualmente, contudo, dos casos registrados, um percentual de 10 a 15% permanecem sem solução por um longo período de tempo, e, às vezes, jamais são resolvidos. Visando dar visibilidade a esta problemática a Secretaria Especial de Direitos Humanos, desde 2002, constituiu uma rede nacional de identificação e localização de crianças e adolescentes desaparecidos, com o objetivo de criar e articular serviços especializados de atendimento ao público e coordenar um esforço coletivo e de âmbito nacional para busca e localização dos desaparecidos. Hoje temos cadastrados no site da ReDesap 1.247 casos de crianças e adolescentes desaparecidos no país. Desde sua criação já foram solucionados 725 casos, sendo que se constatou que uma das causas mais comuns de desaparecimento é a fuga do lar por conflito familiar.

Divulgue fotos de Desaparecidos em seu blogue Click Aqui

clipped from - diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com

Pedimos ajuda mais uma vez para divulgação de nosso Movimento Pela Criação do Alerta Amber no Brasil. O Alerta Amber é um alerta nacional de crianças desaparecidas dos EUA. Queremos que um alerta semelhante seja implementado em nosso país. Em cerca de 75% dos raptos, a criança é morta nas primeiras horas por seus seqüestradores e cerca de 10 a 15% das crianças desaparcidas podem jamais ser encontradas. A criação de um cadastro e alerta efetivo de crianças raptadas poderia mudar esse contexto, salvando vidas, quando a notícia do desaparecimento da criança fosse alardeada rapidamente, principalmente pelos meios de comunicação. Recentemente, o Deputado Alfredo Kaefer apresentou, na Câmara dos Deputados, projeto de lei para criação do alerta nacional. Queremos pressionar para que seja rapidamente aprovado e efetivado. Leia aqui mais sobre nosso Movimento e ajude a divulgá-lo.

Divulgue e passe essa idéia adiante

Envie uma mensagem para os Deputados Federais e Senadores de seu Estado solicitando que seja criada uma lei semelhante ao Alerta Amber no Brasil. Clique aqui e aqui para entrar em contato com nossos representantes.
"A criança é o princípio sem fim. O fim da criança é o princípio do fim. Quando uma sociedade deixa matar as crianças é porque começou seu suicídio como sociedade. Quando não as ama é porque deixou de se reconhecer como humanidade.

Afinal, a criança é o que fui em mim e em meus filhos enquanto eu e humanidade. Ela, como princípio, é a promessa de tudo. É minha obra livre de mim. Se não vejo na criança, uma criança, é porque alguém a violentou antes, e o que vejo é o que sobrou de tudo que lhe foi tirado. Diante dela, o mundo deveria parar para começar um novo encontro, porque a criança é o princípio sem fim e seu fim é o fim de todos nós." Herbert de Souza (Betinho)

Em defesa da Infância - Mídia e Erotização

domingo, 18 de maio de 2008

Quando vi a proposta da Blogagem Coletiva logo me prontifiquei a postar algo sobre o tema. O que me chamou atenção é de que a chamada geral para os textos era sobre “Erotização Infantil”, comecei a refletir que além dos casos mais extremos de abuso e roubo da inocência e da infância, existem meios mais sutis de se estar deturpando o mundo mágico das crianças... A erotização me chamou atenção porque muitos dos que repudiam atos como a Pedofilia não se dão conta de que podem estar ferindo o direito a inocência das crianças quando as submetem a situações em que ela é erotização. Seja pelas roupas, gestos e exposição das crianças a filmes e imagens que não são adequadas para sua idade.
Alguns podem questionar, dizer que isto faz parte de uma cultura moderna. Eu respondo que faz parte de uma cultura sim, a mesma cultura que deu as costas para os abusos de que sofrem as crianças. “Tim Tate, autor de Child Pornography: An Investigation ("Pornografia Infantil: Uma Investigação", inédito no Brasil), acredita que se deve à invenção da fotografia, no século XIX, o incremento do gosto pela nudez das crianças. Eternizados em sua inocência, menores podiam ser contemplados a qualquer momento.” Uma relação perigosa entre mídia e pedofilia se estabelece a mais tempo do que imaginamos... Um dado atual sobre a questão é de que nos três primeiros meses de 2008, a SaferNet, que coordena a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, recebeu mais de 35 mil denúncias de pedofilia.
Os dados estatísticos com relação ao Brasil são os piores possíveis. Segundo a redação do jornalismo da UOL, o Brasil é o quarto maior consumidor de pornografia infantil. Com o uso aberto da Internet a questão só vem a se complicar, ainda mais que na área da Justiça, o executivo é extremamente falho. Os pedófilos, e principalmente, os que lucram com este “mercado” ainda fazem o que querem. Cabe a nós, nos informarmos e tentarmos divulgar a questão entre nossos amigos e principalmente falar sobre o tema entre nossos familiares. Pois, como já foi demonstrada em algumas reportagens, entre elas a da Super Interessante, grande parte dos casos de pedofilia ainda ocorrem no seio familiar e de vizinhos.
Existem pedófilos que possuem distúrbios psíquicos, estes são os mais perigosos e existem também os pedófilos situacionais, que se aproveitam de uma brincadeira, aparentemente inocente, para satisfazer sua “curiosidade”. Ambos os casos são horrendos, por isso a conversa com a criança é sempre importante, mas mais importante é que não ocorra o chamado “pacto de silêncio” que ocorrem quando um pai ou padrasto abusa da criança, muitas vezes as mulheres e filhos, por medo, acabam se silenciando e compactuando com o crime.
Fico feliz ao ver que, por vezes, a mídia é utilizada para combater a Erotização, a Prostituição Infantil e a Pedofilia, é o caso do aclamado filme Anjos do Sol, que conta a história de duas crianças que são vendidas por seus pais para um “padrinho” fazendeiro, que, depois de manter relações sexuais e explorar de crianças, as envia para um prostíbulo, onde se tornam escravas sexuais. O filme é forte, mas, infelizmente, verdadeiro, trata-se de uma realidade que ainda teima em ocorrer pelo Brasil afora. Desde as grandes capitais, onde estrangeiros buscam suas vítimas e regiões interioranas, onde ocorre este tipo de escravidão. Deixo um trecho do filme Anjos do Sol, recomendo que assistam e divulguem, problematizando o tema.

Agradeço ao site Diga Não à Erotização Infantil pela bela iniciativa. Fiquem na paz de Deus.
Namastê
Leandro

Três Lagoas - Cidade das Águas

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Venho compartilhar sobre o Mato Grosso do Sul, e principalmente sobre Três Lagoas, cidade em que nasci,cresci, fugi e como um filho pródigo qualquer voltei. Em suas ruas empoeiradas de calor, cheiro de mato no ar e sertanejo nas rádios... Como toda cidade do interior possui seus encantos, nos mangueirais, oliveiras e quintais com goiabeiras e cajuerios...
Gostaria de começar falando sobre meu estado. O Mato Grosso do Sul (MS) é muitas vezes confundido com seu irmão gêmeo Mato Grosso, porém possui algumas diferenças em sua cultura, percebe-se isto através da fala, palavras usuais, sotaques, musicalidade e alguns costumes próprios, peculiares a formação de cada estado... Começo pela músicalidade sul-matogrosense, o nome de Helena Meirelles é a expressão máxima das raízes musicais deste estado, a primeira violeira a ser reconhecida pela Guitar Player na lista dos 100 maiores instrumentistas de cordas de todos os tempos, recebendo em 1993 o prêmio de revelação instrumental do ano... Suas influências são principalmente os ritmos paraguaios: guarânia, chamamé, rasqueado e polca. Essa é a base musical de nosso estado.

Em Três Lagoas este ritmo também é bastante difundido, só que, infelizmente, a geração mais nova não tem se identificado com a melodia e sonoridade destes ritmos, tendo se voltado principalmente a este novo modo se fazer sertanejo. A minha geração, daqueles que possuem entre 20 e 30 anos, que estudaram violão na década de 90 ainda trazem consigo esta influência musical... Até mesmo porque, só agora que a cidade tem crescido, antes se resumiam a dois conservatórios musicais... Entre os violeiros e violonistas mais conhecidos na cidade cito com orgulho e segurança meu próprio pai, que sempre é convidado a tocar chamamés, guarânias e rasqueado em alguns eventos e festas na cidade...

Uma das características marcantes do povo treslagoense é o tereré, ou melhor, as rodas de tereré, dificilmente, principalmente entre os jovens, se convida alguem simplesmente para fazer uma visita em casa, ou coisa assim, a primeira frase sempre é: "-Fulano, desce aqui pra tomar um tereré!" Mesmo que isto nem acabe por ocorrer... O tereré tem a mesma base do chimarrão, onde se utiliza uma guampa (ou cuia), bomba e insere-se a erva Ilex Paraguaienses, a diferença da erva do tereré para a do chimarrão é que no tereré (téra ou térinha, rs) ela é mais grossa e costumeiramente se adiciona ervas e hortaliças como hortelã, menta, boldo... Alguns mais tradicionalistas, como eu (hehe), não admitem a adição de açúcar, sucos ou refrigerantes... Aceita-se no máximo limão e ervas adicionais... O amargo também não é problema para nós... Sobre as principais comidas do estado eu sempre como a Chipa, a Farofa de banana, a Farofa de carne , o Pacu assado e o Quibebe...

O povo treslagoense também é conhecido pela sua receptvidade, e isto não é só para se vangloriar não, mas de fato, o povo é muito acalorado, tranquilo, aberto... A miscigenação é característica marcante desta população, sendo os traços indigenas os que mais se sobressaem, seguido da mistura com os traços africanos, o estado possui uma das maiores quantidades de comunidades quilombolas no Brasil... Miscigenação que vem do encontro destes povos com os da imigração paulista, gaúcha, mineira, paranaense...


Hino do município de Três Lagoas


Letra por Antonieta Josefina Costa Araújo


Melodia por Euzébio Siqueira Brandão


Três Lagoas gentil

Róseo solo amoroso

É teu céu cor de anil

Solo Régio e formoso


Lagos calmos sutis

Alma plena de paz

Gente boa e feliz

Ontem e hoje viril capaz

Alma plena de paz

Solo Augusto

De um povo audaz.


Para descontrair deixo um video exibido no Fastástico no meio da década de 90 sobre um tal Lobisomem que tinha aparecido nas regiões rurais da cidade... Aproveitem para ouvir o sotaque, a miscigenação, a simplicidade e os traços que marcam esta cidade... Mas não, Três Lagoas não é só mais uma cidadezinha do interior do Mato Grosso do Sul, como comicamente enfatizou Lima Duarte (rsrs), hoje, é um polo industrial, com fábricas de grande porte, comércio potencializado... Até mesmo porque a Pecuária, o forte do Estado e da Cidade não está em sua melhor fase...

No mais seria isso, foi um prazer compartilhar um pouco de minha história, povo e cultura, abraços treslagenses!

Namastê!

Leandro

NUNCA FOMOS COVARDES!

terça-feira, 13 de maio de 2008

13 de Maio de 2008. Muitos anos se passaram e a abolição ainda não se concretizou. As estatísticas são duras e concretas demais para os descendentes dos africanos neste país! Poderia citar os números mais horrendos possíveis, mas não é disso que quero falar neste dia. Quero começar pelo gesto de imbecilidade servil pseudo-cult (neologismo aos pensadores que a mídia elege por apresentarem características intelectuais, mas que num sentido estrito não possuem formação e estrutura argumentativa para tal) do pop Caetano Veloso, reconheço sua história e importância para o Brasil, mas este ato foi de extremo repudio. A sua assinatura contra as medidas tomadas pelo projeto de Igualdade Racial. O ProUni pode ter suas falhas, mas ajuda muitos a entrarem para as universidades, pessoas que jamais teriam acesso a Educação Superior... A discussão sobre esses assuntos sempre procuram ser circunscritas pelos que se consideram os portadores da verdadeira cultura e consciência brasileira. Caetano teria sido muito mais útil a população brasileira se utilizasse do seu poder simbólico de músico politizado para levar a discussão para os meios acadêmicos, para as TVs e escolas. Parece que sempre é mais confortável sentar no seu banquinho e cantar músicas de liberdade, escondido por traz de uma carapuça de libertário. Caetano, aquele que sentia orgulho por tuas composições, agora, não te ouve mais. Como se Caetano fosse ler isso algum dia(bobinho eu!), deve estar ocupado com sua agenda militante pro-falácia intelectual.
A discussão ainda não amadureceu... Poucas iniciativas foram implantadas... Concordo plenamente que as ações afirmativas não se resumem a sistema de cotas; estas que possuem, de fato, suas incoerências, mas que não devem ser abolidas, afinal, quer mais incoerência do que o Sistema de Educação brasileiro? Seus critérios de seleção para universidades, seus questionáveis critérios de destinação de verbas a universidades, etc... Ações afirmativas incluem um campo de atitudes e métodos muito mais amplo do que se divulga na mídia, e isto tem que ser levantado, discutido entre os jovens, os mais interessados no assunto... Eu, tenho uns 10 amigos que estudam pelo ProUni, pessoas que tiveram grandes mudanças em suas vidas por causa deste sistema... Imagino, que não só eu, como mais pessoas conhecem e usufruem deste sistema... Mais discussão, mais argumentação, isso é o que precisa-se neste momento. Mais iniciativas. É o que toda a população pobre, preta, negra, afro, indígena, quer.
Nunca fomos covardes!!!
Os negros, escravizados sempre tiveram suas atitudes de coragem, sua autonomia frente as adversidades, suas buscas, levantes e vitórias! Povo de luta, força, coragem e ousadia! Assim romperam estigmas, superaram desafios, venceram a dor, trilharam seu próprio caminho. Assim, famílias vieram da Bahia, foram para Minas, estacionaram em vilas, brejos, São Caetano, Mangas, sempre em busca de sua liberdade, e hoje estão aqui, em Mato Grosso do Sul, Três Lagoas, e outros tantos brasis, outras tantas famílias Oliveiras, Silva (sobrenome que marca a herança daqueles temos de escravidão, sobrenomes adotados, imputados)...
Outros se fizeram mais notados, Machado de Assis, Pixinguinha, Zumbi... Entre tantos outros... Quem dera nas escolas estas referências fossem melhores exploradas... Talvez eu não tivesse demorado anos para saber que Machado era negro, intelectual e vivia do pensar, não era escravo, nem autoritário, era poeta, escritor, sonhador! O plano de disciplinas sobre cultura afro nas escolas tem que dar privilégio para estes personagens da cultura negra... É o caminho mais fácil e compensador para se ter orgulho de ser negro neste país... O sociólogo Erving Goffman, criador da pesquisa em torno do estigma, deu uma chave hermenêutica estratégica para entender o que o movimento afro, negro busca nos dias de hoje. Aquilo que era estigma atribuído aos negros, em torno de sua raça e história, hoje é revertida pela população como estandarte, o estigma se converteu em identidade própria, exaltada! E seria bom se nas escolas as crianças tivessem seus referenciais de aceitação.
Reivindicação
Para que se consiga ser ouvido por uma causa é necessário que se saiba utilizar dos meios de comunicação, para que se consigam mais simpatizantes e adeptos de uma causa. A própria história mostra que a presença de negros na Universidade é insignificante. Por isso, seria interessante que debates mais coerentes ocorressem... A questão das ações afirmativas também é epistemológica. A disponibilização de recursos para que parte da população excluída da Educação a tenha acesso, pode ser interpretada como uma devolução de espaço vedado por décadas de exclusão.
Diga-se de passagem, que a proposta enviada ao governo, defendida arduamente por militantes como Dr. Paulo Paim tem os "negros" como figura argumentativa, não restritiva, pois se compreende que o racismo e preconceito brasileiro não se dão por questão de descendência e sim por epifenômeno. Neste momento, acredito que o mais importante seja a discussão, aberta, sem manipulação. Infelizmente, a mídia e suas marionetes (Caetanos, diga-se de passagem) não têm contribuído neste aspecto. Assim termino este texto, por uma discussão mais aberta, pois pela confluência, divergência, aceitação de ideias e opiniões que se pode aprofundar num assunto.
Leandro

Sou Haiti.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Assim...

Segundo Carl Gustav Carus, a humanidade divide-se em povos do dia (caucasianos), do crepúsculo oriental (mongóis, malaios, hindus, turcos e eslavos), do crepúsculo ocidental (índios americanos) e povos da noite (africanos e australianos). Para ele o progresso segue do Leste para o Oeste.
E assim seguem relatos e mais relatos sobre os mistérios selvagens da África negra.
O tratamento dos europeus para com os africanos diferencia-se do oferecido aos índios da América que, apesar de serem vistos como primitivos, eram dotados de pureza, algo que não se aplicava aos negros. A cor que os distinguia dos brancos era estranha e pedia explicação. Teriam os negros a pele escura devido à forte influência do sol nas regiões por eles habitadas? Seriam os negros tão escuros por sua descendência de Caim, que teve sua face enegrecida por Deus após matar Abel? Ou pela maldição de Noé sobre Caim do qual todos os negros descenderiam? Seriam negros por causa da água e dos alimentos que os nutria, encontrado somente na África?
A África seria uma terra de pecado e imoralidade, gerando homens corrompidos; povos de clima tórridos com sangue quente e paixões anormais que só sabem fornicar e beber.
A religião africana também é condenada. Para o autor a maioria dos escravos nasce, vive e morre sem ter nenhum contato com o divino.
Como pode tal homem, que prefere o vício à liberdade, servir ao progresso da nação?

Ô Brasil.

O interesse de parte da elite intelectual brasileira pelos movimentos para a emancipação dos escravos no Brasil obedeceu, desde seu inicio, a uma lógica que unifica seus pensamentos aos ideais do Iluminismo/Liberalismo europeu. Em nome da igualdade de direitos, da liberdade, da economia liberal, muitos pensadores condenaram o sistema colonial e o trabalho escravo buscando igualar o país às mais desenvolvidas nações da Europa. No texto que será analisado a seguir fazem-se presentes teses como: todo homem é proprietário de si mesmo; a liberdade é um bem inalienável; não pode haver nação onde não há igualdade de direitos, preocupação com o bem-estar de seu povo e aprimoramento dos meios de produção e dos produtores. Também faz parte dele (de modo explícito ou não) o desprezo pelo trabalhador negro e mestiço.
E assim caminhamos... “Democracia racial”, luta por igualdade e tal. Estamos aqui. Disfarçados, misturados, miscigenados, afastados, abraçados.

É Haiti.

No início do século XIX, o Haiti era a colônia mais produtiva das Américas e a primeira a conquistar a Independência nacional, em 1804. Mas quê?!!!!
Os ecos da Revolução Francesa se fizeram presente no Haiti, (os mesmos ecos que surgiram aqui e forçaram nossa princesinha) surgia a figura de Toussaint L’Ouverture, escravo que teve acesso a educação, tornando-se líder dessa revolução. A história do Haiti nos emociona, vamos lendo sobre esse levante, sobre as estratégias de Toussaint, vendo seus erros, mas que no final se mostram graves demais, como a reinserção do escravismo em terras haitianas mesmo após a revolução. Mas isto ainda não seria o pivô para a miséria desta nação. A exclusão do Haiti por Simon das nações latino-americanas convidadas para a Conferência do Panamá, em 1826 provocou danos irreversíveis a esta nação irmã. Só de observar que os EUA dominam 89% das importações e 65% das exportações desta nação não nos resta duvida de que estes danos ainda permanecem.

Irmã, por quê?

Filhos da mesma África, dos mesmos preconceitos, da mesma exploração. Nativos dizimados, cultura deturpada. Danos irreversíveis. A religião Vodu ainda é estigmatizada no Haiti, e no Brasil, como fica a Umbanda, Candomblé e afins? O catolicismo, que até pouco tempo atrás era a única aceita oficialmente no Haiti era pratica em conjunto com o espiritismo Vodu. E no Brasil, católicos, luteranos, muitos não teriam certa mística afro? E a miséria? Nos suburbanos (maioria negra) a miséria e pobreza imperam não muito diferentes do Haiti. O Haiti é aqui, a miséria é aqui!
Santos. Gislene Aparecida. A invenção do Ser Negro. RJ: EDUC-FAPESP-PALLAS, 2002.
Sansone, Livio. Negritude sem Etnicidade. Salvador/RJ: EDUFBA-PALLAS, 2004.
Maestri, Mário. A Servidão Negra. Porto Alegre: Mercado Aberto., 1988.
Gorender, Jacob. O épico e o trágico na história do Haiti. Estudos Avançados 18 (50), 2004.

Haiti

terça-feira, 15 de abril de 2008



Quando você for convidado pra subir no adro

Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadãoSe você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
*Composição de Caetano Veloso e Gilberto Gil

Quando um amigo pediu para que eu buscasse informações sobre o Haiti, não pensava descobrir tanta coisa relacionada a história da diáspora africana e como a história do Haiti confunde-se com a do Brasil... A história deste povo me comoveu de tal forma que até essa música passou a ter nova significação para mim, vi coisas que não via antes... Em breve vou postar minhas reflexões sobre aquele povo e história, e compartilhar como ela não é tão distante da nossa...