quarta-feira, 22 de julho de 2009

*Quadro 30x40 (Acrílico sobre Óleo) por Leandro Neres;

Sangria Celeste
(Camila Costa)

A Alma se encontra em cores,
descobre caminhos, abre-os, e, por vezes, fecha-os.
Mas fechar os caminhos abertos na alma, dói.
Quase sempre, sangra.
A boca rubra silencia e o céu se abre, vira um mar,
De sangue.
Deserto.
Ao certo.
Uma Sangria Celeste.
O tempo. Cicatriza.
E a beleza aparece: cor, cheiro e gosto de poesia.
Arte.
Ar te faz voar. Avião. Avista outras cores, outros caminhos, outras almas.

"Num deserto de almas também desertas,
uma alma especial reconhece de imediato a outra.”
[Caio Fernando Abreu]

Publicado orginalmente em Cera Quente.
http://ceraquenti.blogspot.com/

Apto 101 - O restaurante - IV

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Imagem em photobucket

(Des)Identificadores sociais
E retornou de viagem. Leve tempestade pelo caminho. Casas desmoronadas assombraram boa parte do percurso. Parou num restaurante caseiro na beira da estrada. Olhou pelo espelho do retrovisor, lembrou de seu tom negro que logo lhe conferia a diferença necessária para algum diálogo, recusa, interesse ou indifereça. De tanto observar olhares transformou isso num jogo, uma brincadeira social. Ao entrar no recinto logo sorriu com o jeito tímido e apressado da jovem moça de fita amarela. Fala apressada, insegura, olhava com admiração e profundidade. Logo lhe chamaram a atenção e foi correndo arrumar o jogo de talheres. Ele sorriu disfarçadamente, ficou olhando e escolhendo do que lhe seviria, achou estranha a comida, batata, frango, feijão sem caldo e arroz com milho. Ficou até com receio. Pensou em procurar outro local, ficou estático até ver um sorriso metálico, pele clara e rubra, olhos castanhos e cabelos de imigrantes da baviera. Aceitou o desafio, perguntou se o restaurante era alguém conhecido, era de seu pai. Ela indicou o local para sentar e perguntou se ele era paulista. Ele disse que não, e perguntou o porquê, mas já sabia que era o sotaque, ela completou retratando o sonho de ser modelo na capital paulista, falou de uma prima e logo recebeu outro chamado, pediu desculpas e se retirou. Viu certo agito na cozinha, umas rindo e outras nervosas e um senhor de bigode engraçado falando sério. Descansou, ficou vendo uma freira pedindo ajuda no telejornal, "quando as pessoas sentem a dor de outras como se fossem suas ou de seus familiares elas ajudam e é isto que está acontecendo, nunca recebemos tanto apoio e solidariedade, a igreja é uma extensão de todas familías a estas pessoas que não encontram abrigo neste momento". Despertou para o relógio e viu que não poderia demorar mais naquela estrada, a moça voltou e agradeceu, pediu que ele retornasse quando pudesse e lhe desejou boa viagem. Ele viu ali um mundo de sonhos, uma casa antiga no meio de montanhas, uma tentativa de fuga, um contraste. Desejou que seus sonhos se realizassem e que não tivesse medo... Achou interessante essa troca de olhares, se sentiu desgastado, já tinha vivido essas buscas e saído de sua paisagem bucólica, compreendia aquele olhar, a insegurança, o medo, o desespero infantil, o flerte que não saiu, o sorriso como melhor meio de se expressar; um passado que até esquecera, mas um olhar que lhe disse e abriu páginas de histórias durante seu retorno, toda paisagem, montanhas, lagos, cavalos, casarões lhe indicavam o caminho de volta, a poesia visual que lhe cantava num ritmo antigo e redescoberto. Ficou pensando sobre como seu jogo não fez sentido algum naquele encontro. O tom não deu cor aquele cenário, mas sim uma busca que estava além do contato visual, aquele olhar era profundo e o sorriso revelador.

Clichê

sábado, 31 de janeiro de 2009

Imagem em DeviantART


Cala.
De tua investida pungente desfez minha procura de paz.
Calada, agoniza meu salto ao caminho da vida.
Saída fugaz que me expulsou de teu racional sentimento.
Calou-se e criou teu muro.
Fugiu para um abraço que desconheço e me destrói.
Calando disse tua verdade.
Disse teu verbo odiar e anulou minha esperança.
Calado escrevo versos clichés de sábado chuvoso.

Buddy Rich x Animal!!!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Esse vai pra Drummer! =)

Manhã

sábado, 24 de janeiro de 2009

Imagem em DeviantART


A tensão entre o rubro febril e o frio movimento.
Olhares que não se cruzam.

São dez da manhã, um soluço matinal dá o desfecho de sua última noite.
Eles já sabiam que aquela seria sua passagem sem volta. Para ela foi um recomeço. Ele perdeu o chão. Viu teu espelho quebrado.

Quis sangrar, sentir seu coração, ser feminino e entender seu caminho, sua escolha. E num arrepender-se despertou seus vazios, foi chuvosa sua primeira manhã.

Acordou e viu uma paisagem crua, abraçou sua nova solidão e quis pegar o primeiro vôo de volta ao abrigo, mas sentou, tomou seu café e sucumbiu a sua frieza melancólica de homem matuto.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Sobre Lobos

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Sobre Lobos
(Poema de André Ricardo Andrade - andreandrade_sl@hotmail.com)

Lobo da Noite

Subindo pela montanha
Sem que os pés toquem o chão
Descobrindo em suas entranhas
Que a água corre com perfeição

Chegando próximo ao céu
Tocando as nuvens brancas
Sentindo o doce véu
Esquecendo o profundo pranto

Sinto-me um lobo da noite
Uivando para lua bela
Olhando as estrelas
Sou sentinela

Lobos

Nada viu e tudo julgou
Nada sentiu
Seu ego predominou
Iluminei a noite quando a luz se apagou
Fui até o sol
Pra sentir o calor
Nadei em um oceano de pedras
Sobre ele flutuei
Encontrei o verde nesta selva
Subi até a montanha
Procurei por aquela visão
E senti na alma a criação

Lobos me viram
A mim vieram
Lobos uivaram
Algo para mim trouxeram
Era o dia, era à noite
Era o sol, era à lua

Lágrimas

Lobos insaciáveis esperam pelo som
Este que soa no interior da alma
Liberdade e igualdade no mesmo tom
Abutres voam rasos
Ursos tornam-se coelhos
Quem antes andava, hoje vive de joelhos
Morcegos voam de dia
Cães não latem mais

O incorreto nos traz
Insanidade apenas cega
A dor não é comum
Saudade com esperança
E as lagrimas mais uma vez correm

Imunes a Morte

Lobos imunes a morte
Artífices do amor
A lamina que um dia me causou um corte
Hoje bebe prantos e terror

Passos evoca a noite
Olhos pesados perdidos
Dançando cegamente
Os mortos de ontem, hoje estão vivos

Percepção

A serpente de fogo surgiu ao norte, nas entranhas do ódio. Ela é grande, não quero que ela chegue até aqui. Partirei em fuga com meu barco pelo denso oceano de gelo.

As ruas estão cheias as vozes não se calam. As pessoas parecem condenadas a esta perpetua rotina. A busca do TER, esquecendo o SER em uma esquina qualquer.

O sol surgiu, as aves levantaram vôo, a água desceu da nascente, o vento começou a soprar. A mais bela das estações estava descoberta. O rio cruzou rapidamente sob a percepção da rocha. Os olhos de cristal brilharam.
O repouso do vento surpreendeu a aurora. O repouso do sol cedeu no agora. A lua apareceu quando o coiote uivou.

Viajante

Aventura é o sangue do viajante
Tanto a conhecer
Na vida, para apenas por um instante
É na hora de morrer

Quando a noite chegar
E o lobo trouxer aventura
Nas águas irá encontrar
A mais bela ternura


O olhar é do cume distante
Que parece desafiar nosso viajante
Seu sangue muito esquenta
E lá está novamente sob vento constante

A Fada de Avalon

Mármores de eterna brancura
Imunes ao passar do tempo
É o lobo sedento que uiva com bravura

Território assombroso
Pântano sem fim
Estrelas solitárias permanecem
Constelações são mundos imperceptíveis

Os olhos dos lobos são o alem
A fada de Avalon procura um, porém
E lá continua o barco
Deslizando na crista de teus longos cabelos

*Poema escrito pelo meu amigo André, amigo-poeta de canções, bandas, vida boemia, estudos e discussões.

Feliz 2009!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Sim, é clichê, mas vou desejar um Feliz 2009 repleto de conotações para todos @s blogueir@s que estiveram por aqui! É por vocês que este espaço ainda permanece vivo, cheio de esperanças e motivação! Agradeço por cada visita e comentário e peço desculpa pelos sumiços, pelas fugas com os circos, pelas viagens, mas estou aqui e este ano foi diferenciado, mergulhei, pela primeira vez, neste mundo "virtual", que descobri ser mais real do que muita coisa que já tinha vivido. Por aqui sonhei, viajei, conotei, apaixonei, desapaixonei, chorei, sorri, amei, cresci, renasci. E vocês me marcaram, me tornaram uma pessoa diferente, melhor, ganhei muito com cada palavra amiga e sincera que recebi. E eu voltarei, mais organizado, quem sabe, rs, mas com mais intensidade e paixão, com certeza!
Obrigado!
E vou deixar uma música, seja como for, vamos começar e fingindo ou não, vamos seguir!
Abraços!




A cidade de Três Lagoas e do que somos parte.

sábado, 13 de dezembro de 2008



Olá pessoal, estive ausente dos blogs nas últimas semanas por motivo de viagens e trabalho, mas não poderia deixar de participar do Coisas do Brasil, um momento especial em toda blogosfera... Na minha primeira participação, falei muito da minha cidade, procurei enfatizar nossos costumes, tradições, coisas do cotidiano... Dessa vez, como complemento ou continuação, vou falar do que me atrai em especial na cidade e suas tradições... Um personagem do nosso estado que me orgulha muito é o violeiro Almir Sater, possui um renome nacional e internacional, sendo músico fundamental para a expressão dos nossos valores, do nosso modo de falaR (com o R puxado), da calma e sabedoria do nosso povo e de todo talento, falo assim porque sou fã mesmo! E Almir Sater é uma tradição que aprendi com meu pai e nunca deixei de ouvir e admirar... Deste músico é uma das composições que mais gosto, a música Trem do Pantanal, este trem ainda existe, ele parte de Corumbá - MS e chega em Santa Cruz de la Sierra - Bolívia, passando por boa parte do Pantanal, este é uma de suas peculariedades, eu ainda pretendo viajar por este trem e quando digo que pretendo viajar é porque há grandes chances disto acontecer porque sou viajante nato e pretendo continuar assim por toda minha vida! O Trem do Pantanal já teve um percurso maior, inclusive, quando criança, já cheguei a viajar por este trem, saí de Três Lagoas e fui a Bauru... Até a década de 90, o trem saía de Bauru - SP e chegava em Satan Cruz de La Sierra... Já foi um veículo de transporte útil, principalmente para a população de baixa renda, porém uma multinacional acabou comprando a empresa e vendo o trem somente com função comercial... Não vou adentrar nestas questões mais políticas, mas, ao mesmo tempo que muito me orgulho desta linha ferroviária, me entristeço, meus avós eram trabalhadores desta linha férrea e a partir dela nossa família se sustentou, por muito tempo... Ao mesmo tempo que me orgulho me entristeço, pois hoje, a linha férrea é um grande mecanismo de exploração, e já perdi um colega num acidente, neste mesmo ano,devido as más condições de trabalho e manutenção das linhas e máquinas... Mas enfim, fico com o que ficou de bom e o de ruim fica como lição... Vou colocar um video em que Almir Sater interpreta O Trem do Pantanal no programa Viola Minha Viola... É muito belo, vale a pena...

E tanto falei do trem, de Almir Sater que também tenho que falar do Pantanal, uma maravilha natural que muito enriquece nosso estado... O Pantanal está concorrendo para as 7 Maravilhas Naturais do Mundo... Para votar basta clicar aqui. O video de divulgação encontra-se no youtube e resolvi colocá-lo aqui também...
Existem vários blogs divulgando e apoiando esta campanha, espero que vocês também cliquem no link e ajudem a valorizar o que é nosso! Sobre Três Lagoas encontrei um video bem bacana sobre a cidade, imagens do centro, dos bairros, dos parques industriais, e um texto ótimo também, algumas informações eu mesmo não conhecia...
Bom, pessoal, foi o que consegui neste pouco tempo que tive nestas últimas semanas, espero que gostem!
Abraços!
E até o próximo Coisas do Brasil, que já me inscrevo por antecipação!
Leandro

Convite

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Olá pessoal, só venho reforçar o convite para que leiam e participem do Coisas do Brasil. Amanhã, 13/12, meu texto estará disponível. Espero que goste. Saiu no improviso, mas saiu! E eu gostei muito de ter escrito sobre minha terra, coisas de que me orgulho e que constróem boa parte do que sou!

Separados, pensamentos juntos

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

 
Imagem em DeviantART
Manga com sabor de beijo na esquina. Música que se confunde com imagem. Sorriso cor lilás e cheiro de maçã. Ando por cima da água pra brincar de Deus, balanço a perna sem parar, meus dedos coçam, queria estar noutro lugar. Mão que transpira e busca solução pra coisa que quer dizer, mas não diz. Sinto saudade de amor carnal nunca experimentado, como das flores que cantam sozinhas pra me fazer companhia. Não pense que estou tentando usá-la, foi só encontro que estava pronto a ser marcado. Quando estou com você, o inesperado sempre acontece e fico sem controle, mas sempre minto no final. Há sempre crianças jogando bola e saudade de tempo que não volta mais, mas não sinto falta. Pois tenho existência inquietante de quem não se mostra apesar de se despir, já que sempre me incomoda o filho do vizinho que faz manha pra não ir à escola.

Sou sorvete derretendo em pingos que lembram tarde de verão, ou clara de neve com limão que encobriu o último bolo da vó, ou poesia sem sentido sobre caminhos já trilhados. Com você passaria a tarde sorrindo trilho de trem, estação que é o esboço da minha próxima pintura, sua companhia me faz esquecer que um dia já sofri. Eu já sofri? Sofrimento que estava ao lado até uns dias atrás, abri as janelas e o sol apareceu, até as flores no jardim estão dançando. Tenho voz de homem que diz mentiras pra esconder as rugas de quem já amou demais e fecho portas e blindo cadeados pra prender felicidade furtiva. Sinto garganta seca de tanto esconder palavra, de tanto fugir, mas que segue a vida em paz. Estou sempre em busca de fonte de água pura, felicidade que brilha, que é sino de capela, que é benção apostólica, moça sorrindo no portão, pés descalços, vestido florido, rosto lavado, uma tarde de sol.

Mostro minha alma obscura a você e não importa se o tempo está acabando, sempre será pouco, com você vou sempre depois das cinco da manhã, fazendo brincadeira de criança, porque faz de conta é parte da tragédia da vida. Escondo alma e tento abrir o coração, mas tem frase que precisa ser dita pra não haver separação. Brincadeira de aprendiz, somos gente que não sabe viver sem cair. Antes fosse mulher de verdade, é mulher pela metade, partida sempre te faz chorar. Mas é vida, é caminho comum, gente que sofre, que não lembra que sofreu, que se agarra, que canta, que mente, que diz, que é viajante e, olhando o olhar de quem fica só, agora sei a dor que já causei, não pensei que fosse tanta mas ninguém tem culpa, a vida é feita de viagens também.

Tem agora um brilho no escuro que finge ser vida, mas é vela que se apagou a alguns anos-luz e velo por toda falta de luz, rezo o credo que dá vida toda vida e, se não precisar de credo, rezo a lógica que dá paz à falta de fé. Esse ritual de acasalamento, entre o vermelho sofrido e o fio de vestido que sobrou em mim, busca incessantemente por paz, mas quer loucura em seu copo de mulher sofrida. Todo ritual exige passagem. Em alguma passagem o rito dá significado à magia sonhada em cinema mudo, essa seqüência de fatos psicológicos, em tempos perdidos entre o querer ir e a vontade de morrer sem ter você. E tenho mesmo que partir, mas levo nossa paz aonde for, que é cor de rosa, cor de rosa despetalada.

Conversa para boi dormir

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Imagem de Kurt Halsey
“E ela disse o quanto estava magoada e se sentia humilhada,deixada de lado e as vezes enganada e o quanto sentia suas expectativas frustradas durante tantos anos e quantas injustiças foram sofridas e quanto amor teve de ser liberado sem razão, sem merecimento e que podia ter muito bem sentado e tido uma bela conversa sobre o assunto e colocado a pessoa em questão no seu devido lugar ou apenas desistido dela, mas que optou por mais uma vez amar... essa forma inexplicável de amor.
E então de alguma forma desconhecida depois de todo esse misto de sentimentos entregues a justiça divina e não a sua própria, olhou pra dentro de si após 40 minutos e percebeu que estava mais uma vez, como se nada tivesse acontecido, completamente apaixonada por ele”

E eu disse : Mãe , sei exatamente como a senhora se sente.

Pher

Riquezas de Cuba

sábado, 29 de novembro de 2008

 José Marti
 
Martí teve a genialidade de superar as concepções revolucionárias existentes no seu país e ser, ao mesmo tempo, o mais universal dos cubanos.

Foi preso aos 16 anos, libertado pouco depois e morto aos 42 anos em “Dos Rios” quando regressava para construir uma nova pátria.

José Julian Martí y Pérez nasceu em Havana, na rua De Paula, nº 41, atual rua Leonor Pérez, nº 314, (hoje museu), de pais espanhóis. Don Mariano Martí y Navarro, primeiro sargento do Real Corpo de Artilharia, era natural de Valencia, e Leonor Peres Cabrera, de Santa Cruz de Tenerife, Ilhas Canárias.

Em sua formação na infância teve grande influência o professor e patriota Rafael María de Mendive – na escola San Pablo – que se comprometeu, desde 1866, a custear seus estudos de bacharelado. Porém seu mentor foi preso em 1869.

Suas idéias políticas aparecem publicamente pela primeira vez em janeiro de 1869, nos jornais clandestinos “El Diablo Cojuelo” e “La Pátria Libre” – poema Abdala – poucos meses depois do insurgimento de Carlos Manuel de Céspedes, em “La Demajagua”, em 10 de outubro de 1868.

Ainda muito jovem, Martí foi preso em 21 de outubro de 1869, condenado a seis anos de prisão política. Após um ano de prisão, desenvolveu trabalhos forçados, próximo ao atual Malecón.

Após breve estadia em “El Abra, na “Isla de Piños”, é deportado para a Espanha. Por duas vezes é operado das seqüelas do cárcere no seu corpo (1872), porém, mais difícil, é curar as dores da alma. Dedicará a sua vida, com a ação e a palavra, para que a Pátria também se cure.

Na Espanha não guarda nem alimenta ódios, apenas defende a independência e a justiça. Deixa amigos e se dedica aos estudos, licenciando-se em Direito Civil e Canônico além de filosofia e letras, formando-se com louvor em Zaragoza, em 1874. lá contou com o apoio e solidariedade do companheiro de juventude Fermin Valdés Dominguez, junto a quem fora julgado, acusados ambos por assinar uma carta em que classificavam como apóstata a um condiscípulo por alistar-se no oficialato espanhol, onde Martí reclamou para si a autoria.

Seu amigo foi condenado apenas a seis meses de prisão. Depois de visitar várias cidades eusopéias começa sua etapa americana ao chegar a Veracruz, México, em 8 de fevereiro de 1875. Conhece o mexicano Manuel Mercado – fiel amigo até o último dia – e se reúne com seus pais e irmãos.

Desde sua saída de Cuba, deportado para a Espanha, pode-se assinalar três etapas na sua vida: de 1871 a 1884 – formação intelectual básica; 1884 a 1889 – amadurecimento intelectual e político; e, 1890 a 1895 – total consagração à pátria.
Em 22 de novembro de 1878 nasce seu filho, José Francisco, o adorado Ismaelillo, fruto de seu casamento no México em 20 de dezembro de 1877, coma cubana Carmen Zayas Bazán.

Em 17 de Setembro é detido pela conspiração para a “Guerra Chiquita” e afirma para as autoridades que “Martí pertence a uma raça que não se vende” quando lhe exigem uma manifestação favorável à Metrópole. Regressará, finalmente, em 11 de abril de 1895, e cairá em combate poucas semanas depois, em 19 de maio, quando seus compatriotas, a quem devolveu a confiança, lutam novamente por uma Cuba Livre! Em seus últimos anos de vida trabalhou arduamente para impedir que os Estados Unidos – aonde viveu muitos anos – estendessem seu território para além do Rio Bravo, como haviam feito com o México, conforme revelou em sua carta inconclusa a seu amigo mexicano Manuel Mercado, escrita na véspera da sua morte.

Conheceu, amou e defendeu ao que chamou de Nossa América. Cronista de sua época, do passado e do futuro, jamais deixou de servir ao seu povo, e no último período de sua vida teve apenas um objetivo: a libertação de Cuba. Organizou o novo movimento independentista através do Partido Revolucionário Cubano (PRC), de base democrática onde unificou todas as forças populares com um só objetivo – a independência – e previu uma república diferente das experiências que conheceu em outras nações americanas.

Em 14 de março surge o primeiro número do periódico “Pátria”, dedicado à grande causa da independência, e em 10 de abril deste ano é fundado o PRC, onde Martí é eleito como delegado.

Depois dos iniciadores, Martí é e segue sendo o forjador mais completo da nação e nacionalidade cubanas.

Alguns pensamentos de José Marti

Cultura

"Conocer diversas literaturas es el medio mejor de libertarse de la tiranía de alguna de ellas".

"Siempre fue el amor al adorno dote de los hijos de América, y por ella lucen, y por ella pecan el carácter movible, la política prematura y la literatura hojosa de los países americaos".

"Ser culto es el único modo de ser libre".

"La poesía, que congrega o disgrega, que fortifica o angustia, que apuntala o derriba las armas, que da o quita a los hombres la fe y el aliento, es más necesaria a los pueblos que la industria misma, pues esta les proporciona el mode de subsistir, mientras que aquella les da el deseo y las fuerzas de la vida".

"¿Ni de qué vive el artista sino de los sientimentos de la Patria?".

Educación

"Saber leer es saber andar. Saber escribir es saber ascender".

"Los niños saben más de lo que parecen, y si les dijeran que escribiesen lo que saben, muy buenas cosas que escribirían".

"Todo hombre ha de aprender ha trabajar en el campo, a hacer las cosas con sus propias manos, y a defenderse".

"Los niños debían echarse a llorar, cuando ha pasado el día sin que aprendan algo nuevo, sin que sirvan de algo".

Ética

"La dignidad es como la esponja: se la oprime pero conserva siempre su fuerza de tensión. La dignidad nunca se muere".

"Ser bueno es el único modo de ser dichoso".

"Un hombre que oculta lo que piensa, o no se atreve a decir lo que piensa, no es un hombre honrado".

"Hay hombres que viven contentos aunque vivan sin decoro. Hay otros que padecen como en agonía cuando ven que los hombres viven sin decoro a su alrededor. En el mundo ha de haber cierta cantidad de decoro, como ha de haber cierta cantidad de luz. Cuando hay muchos hombres sin decoro, hay siempre otros que tienen en sí el decoro de muchos hombres".

"las palabras deshonran cuando no llevan detrá un corazón limpio y entero. Las palabras están demás, cuando no fundan, cuando no esclarecen, cuando no atraen, cuando no añaden".

"La palabra no es para encubrir la verdad, sino para decirla".

"Las palabras no valen sino en cuanto representan una idea".

Política

"No es rico el publo donde hay algunos hombres ricos, sino aquel donde cada uno tiene un poco de riqueza. En economía, política y en buen gobierno, distribuir es hacer venturosos".

"Adivinar es un deber de los que pretenden dirigir. Para ir delante de los demás se necesita ver más que ellos".

"El Derecho asegura a los pueblos y refrena a los hombres".

"Mientras la justicia no esté conseguida, se pelea".

"La miseria no es una desgracia personal: es un delito público. ¿ Será ley para el hombre en la naturaleza lo que no lo es para los animales?".

"Mejor sirve a la Patria, quién le dice la verdad y le educa el gusto que el que exagera el mérito de sus hombres famoso. Ni se a de adorar ídolos, ni de descabezar estatuas".

"Los peligros no se han de ver cuando se les tiene encima, sino cuando se los puede evitar. Lo primero en política, es aclarar y prever".

"¡ Sólo perdura, y es para bien, la riqueza que se crea, y la libertad que conquista, con las propias manos!".

"¡ Los árboles se han de poner en fila, para que no pase el gigante de las siete leguas!. Es la hora del recuento, y de la marcha unida, y hemos de andar en cuadro apretado, como la plata en las raíces de los Andes".

"El pueblo que quiera ser libre, sea libre en negocios. Distribuya sus negocios entre países igualmente fuertes. Si ha de preferir a alguno, prefiera al que lo necesite menos, al que lo desdeñe menos".

"De la justicia no tienen nada que temer los pueblos, sino los que se resisten a ejercitarla". 
http://www.josemarti-sc.org/josemarti.html
 BUENA VISTA SOCIAL CLUB

Sempre esteve

quinta-feira, 20 de novembro de 2008


Esteve comigo nos traumas de infância
Esteve comigo quando tentei agradar me perdendo.
Esteve comigo quando paguei o preço por ser eu mesma.
Esteve comigo quando tomei bomba mesmo estudando pra caramba.
Esteve comigo quando passei sem tocar em livro algum.
Esteve comigo quando fui rejeitada.
Esteve comigo quando segurei meu ego no chão sem fazer compensação pelas rejeições que tive.
Esteve comigo quando eu estava a fim de lanchar e comprar roupas legais e não podia.
Esteve comigo quando eu não sabia muito bem oque fazer com meu dinheiro.
Esteve comigo quando eu tentei orgulhar meus pais e não pude.
Esteve comigo quando obtive reconhecimento sem esforço.
Esteve comigo quando eu tinha muitos amigos bajuladores.
Esteve comigo quando eu descobri não serem amigos os bajuladores.
Esteve comigo quando tentei blasfemar.
Esteve comigo quando o defendi contra quem o ofendia.
Esteve comigo quando assinei meu nome errado.
Esteve comigo quando esperta tive respostas na ponta da língua.
Esteve comigo na depressão.
Esteve comigo quando pensei nunca conseguir ser tão feliz.
Esteve comigo quando pirei de tanto ficar em casa.
Esteve comigo quando chorei querendo ter tempo de ficar em casa.
Esteve comigo nos bares e nos shows.
Esteve comigo nos cultos e nas horas sozinha no meu quarto.
Esteve comigo em toda minha humilhação e constrangimento.
Esteve comigo nos momentos de glória e total aceitação.
Esteve comigo no conforto do isolamento.
Esteve comigo na iniciativa de me abrir de novo.
Esteve comigo no escândalo da fé.
Esteve comigo no redescobrimento da mesma.
Esteve comigo quando baixei cabeça, engoli choro e esperei por justiça do alto.
Esteve comigo quando mandei a justiça do alto pro espaço e dei resposta atravessada e mandei tudo pra puta que pariu.
Esteve comigo quando menti e pedi ajuda pra não ser descoberta.
Esteve comigo na vergonha de sempre dizer a verdade.
Vezes interveio milagrosamente.
Muitas não.
Mas, esteve comigo!!

Pher

Publicado no Recanto das Letras em 31/01/2008
Imagem em deviantART

Minha ausência

No Fim

No fim de tudo dormir.
No fim de quê?
No fim do que tudo parece ser…,
Este pequeno universo provinciano entre os astros,
Esta aldeola do espaço,
E não só do espaço visível, mas até do espaço total.

Álvaro de Campos

Reflexos de um sublime amor.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Uma troca de olhar sincera, eu paro, sinto-me desajeitado, minha blusa marrom e minha calça velha, estranho que há tanto por fazer e fico com essa mania de olhar meio de lado, torto, sempre com uma ou outra mão no bolso. E ela nota isso, sempre se deu conta de minha insegurança, essa imagem que eu vejo no espelho e só ela consegue interpretar, como se soubesse o porquê de cada gesto, ou até o previsse antes mesmo de eu pensar em fazer. Esta imagem é meu silêncio refletido em desajuste, minha calma após tamanha tempestade de dias em luto, um cortejo fúnebre daquilo que nem chegou a nascer. Se foi amor, ele se foi só, foi quase-amor, foi desencontro, estrela intocável num poema de algum poeta do sul.E lembrando de seus olhares refletidos em cartas e poemas não publicados viu que nunca encontrou, assim como ao olhar nos seus olhos viu as marcas que denunciam todo desencontro de amores sós.
Ela sentia medo desse tão conhecido reflexo. Como se ele fosse decifrar seus pensamentos mais torpes, como se a imagem toda maquiada do seu rosto não conseguisse camuflar medos e apreensões. Ela tinha olhos de ressaca, não os de Capitu, seus. Suas ressacas, suas marés, seus indo-e-vindo. E não queria enxergar em si a personificação mal esculpida da confusão, então virava o rosto, como uma ingênua criança... Ela sabia que era como uma flor, não era uma flor comum, era flor sem espinhos, que seu perfume conquistava e lapidava qualquer pedra embrutecida pela dor. 

Ela não era espinhos, era rosa dos ventos que guiava seus amantes aos mais puros pensamentos, as sensações de paz, aos sons de cura vindo de paisagens  bucólicas, livres e de paz. Mas insistiam em não saber como olhá-la. Eles eram como aquele que diante do espelho não sabia ver quem era e só via dor e desencontro. Ela lhe mostrava os melhores caminhos, as melhores rotas de fuga, soprava em seus ouvidos como fugir da tentação que era tentar tocá-la, ela, a flor mais bela e pura encontrada na natureza se sentia espinho, mas não era, nunca feriu, nunca seria capaz de ferir. De tanto ver sofrerem ao não saberem lidar com sua mágica e poesia não via pelo seu espelho a imagem de quem realmente sempre foi. Por dias olhava e parecia cega diante das palavras de acusação que injustamente sopravam em teus ouvidos. O espelho nada dizia, só mostrava teu silêncio, só teu silêncio seria capaz de lhe revelar quem ela era...
Um dia, um homem-poeta-músico-pensador a compreendeu. Ele se viu no reflexo dos olhos dela, e encontrou o espelho de sua alma. Sem desenhar as palavras que sempre foram escritas em papéis machê, sem machucar as folhas de tão delicada rosa, ele simples a tocou, com a mesma magia sublime que dedilha e rouba notas o violão. E ela, embriagada, pela primeira vez, com a melodia do amor-canção, se entregou. Pois o vidro, que outrora mentia em reflexos, finalmente se desturvou, e nele ela se via e se sentia. Eles se compreenderam numa mistura de prosa, versos, notas, folhas, flores, espinhos e excitação. E todos os espelhos foram olhados e tantas vezes se viram, como pra guardar em si cada pedacinho desse inédito momento. Tão sensíveis que eram, sabiam que como surgiu, podia se acabar. Como um reflexo.
Imagem retirada de DeviantART

Apto 101.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Hoje estou conotativo. 
Espero vocês por lá.
Abraços.

I love you too, but I don´t like you all the time.

sábado, 8 de novembro de 2008


Pra completar a versão de Mahna Mahna que vi num scrabook por aí e curti!
Sobre o Mahna Mahna, temos uma reflexão muito legal neste site aqui.

Rostos em desfiguração - Selvagem

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cacetetes
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter
Em seu lugar

O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terra
Aos pés de um filme de Godard

A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar

Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem ta
Cansado de apanhar
*Composição : Paralamas do Sucesso


A música Selvagem é bem apropriada para concluir esta reflexão. O título da música já é extremamente apropriado. Aprendemos que ser civilizado é não agredir, não ferir, manter as coisas em ordem. Infelizmente, aprendemos ignorar, ser indiferentes faz parte das regras da civilização. Se me incomodo, simplesmente, “lhe dou as costas”. Da indiferença nascem as exclusões e estigmas, gerando tudo o que é forma de destrato a dignidade humana. Mas nossa distorção em relação ao que é civilizado é gerada pelas formas de se fazer política, esta, antes de tudo é que precisa ser mudada.

Ainda existem aqueles que procurar mostrar o olhar daqueles que são invisíveis na sociedade. O cinema de Godard apresenta como característica mostrar a visão dos que estão à margem da sociedade. Assim como apresenta imagens que não estamos acostumados a ver nos cinemas mais comerciais... A cidade apresenta suas armas. E quando paramos para olhar, de fato, aqueles que estão morando nas calçadas, pedindo nos sinais, nos assustamos, vemos quão selvagem é nossa sociedade. Os negros, seres invisíveis na sociedade americana até a década de 50, 60, começaram a se utilizar de uma estratégia simples, mas ousada, ir onde eram proibidos, anulados. Obrigaram a sociedade a vê-los. Não esconderam seus rostos. Mostraram o absurdo das leis a que eram submetidos, mostraram suas costas marcadas e mãos calejadas...

Que os negros, os meninos de rua, os mendigos, as mulheres, os homossexuais e todos que a sociedade lhes deu as costas possam juntos gritar:

Perto está o que me declara justo:
 
Quem fará processo contra mim?
Apresentemo-nos juntos!
Quem é meu adversário de processo?
Apareça diante de mim!

Rostos em desfiguração – Troca de Olhar

[1]

Experimente fixar o olhar na primeira imagem. Entre muitas coisas que se pode identificar, o que fica evidente é a expressão de medo, espanto. Na segunda foto, este olhar já é mais pacífico, cansado, talvez, porém o que marca nesta foto é o rosto envelhecido, calejado. A foto mostrada acima é de dois momentos de Sharbat Gula, fotografada por Steve McCurry, National Geografic [2]. Na primeira foto, Sharbat possuía 12 anos, encontrava-se num campo de refugiados no Paquistão, em 1984. Esta menina foi encontrada após 17 anos pelo mesmo fotógrafo, o qual revelou a segunda imagem.

O que mais impressiona é o precoce envelhecimento do rosto desta jovem com 30 anos de idade. Agora casada, com filhos, possui um olhar sem medo. É dolorido ver a beleza desta jovem ter se destruído tão precocemente. Seu rosto é uma denuncia viva de como nossas sociedades atuais possuem a capacidade de desfigurar estas faces. Lembrando da reflexão anterior, estas fotos nos ajudam a sentir e a lembrar destas pessoas que foram marginalizadas e convite que se faz também é para uma travessia. Travessia na troca de olhar. Por parte daqueles que estão em situação privilegiada, trocar o olhar do estigma e da indiferença, pelo olhar da compaixão e da missão. Por parte daqueles que sofrem, trocar o olhar de medo, desespero, pelo olhar pacífico, daquele/a que tem força para questionar e lutar.

[1]Sharbat Gula. Fotos de Steve McCurry, National Geografic.

[2]Buchalla, Anna Paula. Só o olhar é o mesmo. Revista Veja.


Rostos em desfiguração - Invisíveis

Isaías 50.4-9 [1]

O Senhor Deus me deu
língua de aprendizes,
para que eu saiba responder ao cansado.
De manhã em manhã desperta meu ouvido
para que eu ouça como os aprendizes.
O Senhor Deus abriu meu ouvido.

E eu não fui rebelde,
não recuei.
Dei minhas costas aos que batiam
e meu rosto aos que arrancavam (a barba).
Não escondi meu rosto
de afrontas e cuspidas.

Pois, o Senhor Deus me ajuda:
por isso não serei vencido,
por isso fiz de minha cara uma pedra.
E assim experimentado que não serei envergonhado.

Perto está o que me declara justo (= Deus):
Quem fará processo contra mim?
Apresentemo-nos juntos!
Quem é meu adversário de processo?
Apareça diante de mim!

É por isso! O Senhor Deus me ajuda:
Quem me poderá condenar?
(É isso! Todos eles irão se decompor como um vestido (velho)
a traça os comerá.)


Quem é este, presente neste texto, que se interroga, se desafia e contesta?

O autor do texto não pode ser identificado com precisão, porém sabe-se que relata uma experiência. Preparado, enviado por Deus. Ele é torturado por outros, mas sabe que não é abandonado no martírio. Ele é um aprendiz. Mas o que se ressalta é que este tem uma língua de aprendiz. Sua realidade é de alguém que sabe responder ao cansado. Identifica-se como um profeta. Também não se apresenta como discípulo, mas aprendiz... Ele pede para que tenha a mesma sabedoria para ouvir e se posicionar em sua realidade. Deus intervém. O aprendiz não foge, ele enfrenta sua realidade.

Ele sofre, é desonrado em sua face, cuspido na cara! Porém, com a ajuda do Senhor, faz de seu rosto uma pedra dura. Seu rosto é humilhado, desprezado, endurecido. Quando se fala do rosto se fala do todo da pessoa. O rosto expressa aquilo que ocorre com a pessoa.

O aprendizado se dá não só por aquilo que aprende dizendo e ouvindo, como é mostrado no inicio do texto. Na luta e na dor da vida também se aprende. O sofrimento não é encarado como destino, mas como luta. A dor e a luta não eram previstas pelo aprendiz, aqueles que estavam cansados (os exilados cansados Is 40.28s) se transformam nos cruéis inimigos! Estes passam, agora, a ser desafiados. Os piores adversários são aqueles que estavam próximo a ele... Os cansados são agora os torturadores! A experiência com o Senhor é de ajuda. O qual não o livra do sofrimento, mas se faz presente. Para o autor, com esta ajuda, não será vencido, eu sei que não serei envergonhado. Ele contesta, questiona seus torturadores. Deus o declara justo. Ao invés de lamentar, ele contesta. Esta milagrosa perseverança vem da ajuda divina. Ele provoca seus torturados porque tem certeza da justiça.

Nos rostos em desfiguração há liberdade para o grito, desafio provocador. A dor não é vista como destino, mas possibilidade de transformação. A não identificação do eu central no texto abre portas para que se pensemos nos rostos desfigurados de hoje.

O texto em Isaías traz uma provocativa: os torturadores são pessoas próximas ou pertencentes ao mesmo grupo do humilhado. Reservemos um tempo para olharmos estes rostos de pedra. Lembrar destes rostos invisíveis. Os rostos desfigurados são aqueles que estão invisíveis pela sociedade. Não é todo dia que paramos para observar e sentir a dor das pessoas que estão em situação desumana nas ruas de nossas cidades.
 
Do lembrar ao assumir estes rostos temos uma difícil travessia. Essa travessia inclui diversas dimensões. Como questionar as formas elitistas de governo que se preocupam primordialmente com o progresso econômico, formação de classes consumidoras, abdicando de programas que dêem acesso a educação pelos jovens, o que lhes empurram para os abismos da marginalização e da invisibilidade social. Numa dimensão teológica seja levar esperança para aquele (Isaías 50.4-9) sofre humilhação, mostrando a aprender a falar e a ouvir do Deus que se coloca junto a ele. E acima de tudo, ensiná-los a gritarem pelo seu direito de existirem em plenitude.

[1] Tradução Própria.

Selos e Meme Coisa de Criança.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Um blog de Ouro! 
Recebi no dia 14 de Outubro da Sú!
Repasso para:


Post Show de Bola 
Recebi no dia 15 de Outubro do Amigão pelo post Londrina, terra fértil...



Repasso para o Adriano, pelo post


Este blog é Inteligente 
Recebi no dia 27 de Outubro da Vó Rô os seguintes selos:
Vai para:


Este blog me dá asas 


Repasso para:


Design nota 10 
Este vai para:

Este Blog Vicia 
Repasso para:


Este blog tem Sentimento!
Selo aqui de casa... Presenteado aos blogs e blogueiros que escrevem com o coração na ponta dos dedos...
Desta vez eu vou entregar este selo para:


Meme Coisas de Criança
Recebi este meme no dia 14 de outubro da Sú!

Este possui algumas regras... Vamos lá!
1. Colocar o link de quem lhe indicou para a brincadeira;
2. Escrever um texto sobre alguma lembrança de sua infância;
3. Postar o selinho do meme dentro do artigo;
4. Se possível colocar uma foto de quando era criança ou adolescente;
5. Chamar cinco amigos ou mais para brincar também.

Meu primeiro violão e o poder do Rock. Recordo-me de um fato dos mais energizantes da minha infância. Devia ter uns 5-6 anos... Passava o tal Rock'n'Rio, para mim foi uma energia e vibração tão poderosa que, mesmo tendo visto apenas alguns minutos, me vi invadido por uma manifestação poderosa do deus-metal, entrei no meu quarto peguei o violão que vocês podem ver nesta foto e subi na cama, pulava, lembro como se fosse hoje, impressionante!, gritava rock, yeah, rio, yeah, e fazia batidas loucas no violão, me senti, pela primeira(e única, rs) vez o astro da música! Lembro que tinha um banco, algo assim, eu pulava do banco e caía rolando na cama, um momento de glória e êxtase! Até que ao abrir os olhos vejo minha mãe, parada na porta segurando o riso, lembro que muchei um pouco na hora, mas ainda sentia a pulsação... Incrível como não me esqueço deste dia...


Repasso o meme, caso não tenha recebido, para:
Jhoy
Thaís
Vidal
Adriano
Camila


RECADO PARA @S AMIG@S
No próximo sábado, dia 01 de novembro, estarei sentado no ilustre Sofá do Amigão!, ficarei feliz em vê-los por lá!